Não existe certeza de nada, onde você estará amanhã, o que você estará fazendo, com quem estará compartilhando seus dias. Nada. Tudo é incerto, duvidoso e sem garantias.
A esperança, os sonhos pro futuro são as lanternas que tentam mostrar partes do caminho a ser trilhado. Caminho por vezes tortuoso, cheio de intempéries, decepções, mas porque não, felicidade e realizações? Ele costumava pensar que a vida era uma vadia, que assistia a todo o seu sofrimento se divertindo. Afinal, na vida até então tudo era feito de sofrimentos, ilusões, decepções. Sem amigos, sem amor, sem um trabalho de verdade.
Ele se iludia, via o que queria e por isso sofria. Buscava aquilo que gostaria de encontrar nas pessoas, se fazia de cego e fingia que via tudo aquilo que queria encontrar nas pessoas. Ninguém disse isso a ele, mas ele devia saber que era seu pior inimigo, o causador de seus maiores sofrimentos. Não se mexia, não buscava algo melhor, não via as pessoas como elas realmente eram. Não se valorizava. Se via como a escória. Indigno de receber amor, atenção e carinho. Indigno de construir uma vida a dois.
Por muitas vezes se perguntou se era isso que realmente queria. Queria tantas coisas, será que este seria o objetivo principal? Mas sentia que quando via pais e seus filhos queria transmitir todas as coisas legais que havia visto na vida. Sabia que seria bom ter alguém para dar amor a ele, mas sabia também que o amor de um filho (a) seria algo grandioso, que nenhuma conquista material que pudesse ter em uma vida sozinho poderiam proporcionar.
Quando parou de se colocar pra baixo e simplesmente resolveu viver, a vida lhe proporcionou uma grata surpresa. Quando menos esperava sorriu e alguém sorriu de volta pra ele. Os meses que se seguiram foram cheios de amor, insegurança, carinhos, planos e experiências compartilhadas que mudaram muito seu modo de se ver e de ver o mundo. Ele sabia que ainda havia muito nele a crescer, mas muito havia mudado.
Podia passar o dia visitando lugares que nunca havia ido antes e ficava admirado com todas as coisas que via, assim como podia passar o dia dentro de um quarto sem abrir as janelas apenas apreciando estar junto de alguém que mudara tanta coisa em sua vida. Não fazia diferença. O que sempre havia era a vontade de compartilhar cada vez mais e mais. Uma vida toda juntos.
Parou de cobrar da vida a certeza que ela não podia oferecer, as vezes ainda se sentia ameaçado por todas as pedras que podia encontrar no caminho. Vigiava os passos na tentativa de não tropeçar e deixar algo maravilhoso escapar. Passou a oferecer mais. A mudar e agir. E a vida seguia, se o amanhã será como o hoje ninguém pode dizer. Mas ele só busca a paz, que um dia em um tropeço também deixou escapar. Recolhe aos poucos, se recompõe e segue rumo ao que ele só pode imaginar e esperar que seja bom.
Não se pode viver só de esperança, mas sem esperança não vale a pena viver. (Harvey Milk)

